Visita aos Índios Tapebas
Tapebas
Com um pouco de atraso, finalmente escreveremos sobre a nossa experiência na visita aos índios tapebas. Confiram!
No dia 11 de junho de 2005 as crianças e adolescentes da comunidade da Rua do Fogo foram convidadas a conhecer a comunidade dos índios Tapebas. O projeto Percursos Urbanos disponibilizou um ônibus e foi representado pelo Sr. Robério, que nos acompanhou durante o passeio. Saímos da sede da ACR às nove horas da manhã em direção ao Centro Cultural dos Tapebas, que fica a cerca de 20 minutos da Praça Carlos Jereissate. O ônibus estava lotado, com 38 jovens e crianças, acompanhadas de alguns responsáveis, e membros da ACR. Na ida fizemos uma reflexão, a fim de saber dos participantes como eles percebem os índios. Recebemos respostas interessantes, como a que os índios vivem nús e moram em ocas, uma realidade bem diferente da que encontraríamos. Também foram citadas as diferenças em relação à cultura, ao modo de se vestir, de se divertir etc. D. Glória, 69 anos muito sabiamente falou que os índios estão sofrendo com a prepotência do homem urbano. Chegamos por volta das 9 e meia e fomos recebidos pelo Nailton, coordenador do Centro Cultural dos Tapebas. As crianças logo se espalharam para conhecer o espaço, procurando com curiosidade as peças artesanais feitas pelos indígenas. Encontramos muitos colares, pulseiras, instrumentos musicais e as mais diversas tarefas artesanais muito bem executadas. Algumas peças não custam caro e vale a pena levar uma lembrança para casa. Fizemos uma roda no chão para conversar com o Nailton. Ele nos contou a história dos índios Tapebas. Os Tapebas se formaram através da junção de outras tribos, que fugiam da opressão portuguesa, dos posseiros, dos grileiros. Seus antepassados vieram de outros estados, como Pernambuco e Bahia. O local do refúgio foi Caucaia, que siginifica na língua Tupi, Mata Queimada. Uma das coisas que mais impressionaram foi que no Ceará existem mais de 16 etnias indígenas, só que as autoridades só reconhecem 4 – os Tapebas, os Itaguaris, os Tremembés e os Genipapos-Canindé. Ficando 12 entnias sem nenhum tipo de assistência por parte das autoridades. Lá descobrimos que os índios também precisam de dinheiro para a sobrevivência e que só a pesca e a caça não conseguem suprir as necessidades da tribo. A terra demarcada para os Tapebas é pequena e nem todos os índios dessa etnia moram e se beneficiam dela. Durante a exposição do Nailton, Talita, 18 anos, fez uma pergunta muito interessante relacionada à educação. Quando chegamos logo nos deparamos com várias crianças, que nos olhavam e que aos poucos se chegaram para conversar. Talita queria saber como é a educação dessas crianças. Ele nos explicou que existe uma escola, que de segunda à quinta-feira elas aprendem lições ordinárias como todas as crianças da cidade. Lições de português, matemática, história etc. Porém a sexta-feira é reservada para estudar a cultura tapeba. É muito importante fazer esse trabalho com as crianças, pois muitas vezes elas não se dão conta como é importante a manutenção desse conhecimento ancestral. Com a escola ensinando e mostrando o valor de sua originalidade, fica muito mais fácil!! Nos dias 18 a 20 de outubro ocorrerá um evento na Lagoa dos Tapebas, e é aberto ao público não-indígena. Nesse evento são praticados esportes e são realizados eventos culturais, para preservação da cultura e o estreitamento dos laços com pessoas de outras culturas, como a nossa, a cultura urbana. Na semana que antecedeu o passeio recebemos doações de roupas por parte dos integrantes do projeto da ACR, que ao fim do passeio entregamos para serem distribuídas para os mais necessitados. Vimos que os Tapebas precisam muito da ajuda de todos, pois moram precariamente e não têm muitas alternativas para sobrevivência. Esperamos poder voltar na comemoração de outubro!
- Postado por: Equipe jornalistica às 20:15
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